segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

PERGUNTA SEM RESPOSTA


Dentre as dez questões que eu gostaria de ver respondidas antes da minha morte, existe uma que eu considero o meu maior pé no saco. É um problema que não é só meu; a maioria das pessoas já passou ou ainda passa por isso cotidianamente, muitas vezes, sem sequer parar para pensar sobre o assunto. E aqui vai a questão, com a força de um AK-47 para estourar os seus miolos:

Por que, neste mundo, todas as pessoas que possuem poder de mando — e aqui me refiro a poder de decisão em grande escala — têm o mesmo perfil? Uns mais, outros menos, mas em geral são todos parecidos: com a mesma mentalidade tacanha, a mesma incapacidade de perceber o óbvio, a mesma inclinação mais para números do que para fatos, a mesma desumanidade, o mesmo gosto por um poder que, uma vez em suas mãos, não sabem o que fazer com ele; são como cães que colocam a cara para fora do vidro do carro apenas para sentirem o vento batendo. Se caíssem do carro, não saberiam o que fazer.

Em relação ao perfil pessoal, também não há quase nenhuma diferença: mal casados, mal amados, sem amigos de verdade... todos os seus contatos pessoais, de uma maneira ou de outra, possuem alguma utilidade além do “oi, tudo bem? Como você está?”... se eles realmente fossem o que pensam que são, não desprezariam essas expressões. Onde será que foi parar o seu lado humano? Está escondido, lacrado, soterrado por camadas e mais camadas de dinheiro ou favores... é lastimável, é deplorável. São pessoas solitárias, amargas, escondidas atrás de máscaras por tanto tempo que não sabem mais quem realmente são. Não são nada.

Ei, se você se encaixa nesse perfil, você está fudido rs! Sua grana, seus automóveis, suas propriedades dentro e fora do país, vão ficar aqui, exatamente onde estão rs! Elas não irão com você para o além-túmulo (você deveria saber disso, a história prova)! E o seu fantasma ficará acorrentado a este mundo para todo o sempre, vagando sem rumo e tentando recuperar algo que nunca foi seu. E você vai sofrer mais de uma era de solidão, uma eternidade de dor. Será isso que você quer para sua existência? Lembre-se: o poder não pertence a ninguém, não tem pátria nem responde a senhor algum. O poder é como um vírus: suga tudo daquele a quem lhe serve temporariamente... quando achar que deve partir, ele vai e você fica com o que você tem: se tiver tudo, ótimo, fica com tudo... se não tiver nada, fica até mesmo sem o pouco o que pensa ter.

Acha que sou cruel? Acha que estou blefando? Pague para ver e não diga que não foi avisado. Quem avisa, amigo é... mas não sou seu amigo; sou seu inimigo fidagal e enquanto eu viver vou lutar para que você não tenha o poder. Sabe aquela pedrinha no sapato? Aquela pulguinha atrás da sua orelha? Aquele pernilongo que zune no seu ouvido e não te deixa dormir? Sabe o toquinho em que você tropeça e descarna o dedinho? Sou eu... mas você não vai saber quem realmente sou até que eu cruze o seu caminho. E não reze para que eu não cruze o seu caminho, porque eu vou cruzar você querendo ou não... e vou sorrir enquanto você cai de joelhos ou tomba diante de mim, depois de eu te mostrar o esplendor da verdade.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

CONTOS MACABROS

MACABRO [mɐ'kabru]: que evoca a morte; indefinido; sinistro; obscuro; amedrontador.


Hell's Caretaker (Vigia do Inferno)
Arte de Greg Staples para o card game Magic: the gathering, 9ª Edição, 2005


Tudo aquilo que é oculto procova um sentimento de ambiguidade no ser humano. Ao mesmo tempo que o desconhecido desperta o pânico e o corpo esteja preparado para a fuga em situações como essa, nasce também um sentimento de curiosidade que leva, necessariamente, ao desejo por conhecimento. O problema é que quando seguimos alienadamente esse caminho, quase sempre nos fodemos porque deixamos a curiosidade nos dominar.

O fascínio que o desconhecido exerce sobre nós, pobres e débeis mortais, é tão grande que há momentos em que esses sentimentos reagem com energias ocultas e acabam se materializando na forma dos chamados fenômenos sobrenaturais, dando origem às mais terríveis abominações: fantasmas, demônios e toda sorte de criaturas da noite. Sim, é verdade.

Mas... e quando esses sentimentos não se materializam por si? E quando a vontade de desconhecido fica latente, martelando na nossa cabeça e ficamos entre duas situações: ou não temos a sensibilidade necessária para gerar um poltergeist, parir um demônio, o que o valha; ou até temos essa sensibilidade, mas temos medo? Essa é situação em que a maior fatia do contingente se enquadra.

Se esse é o seu caso, como é o meu, então só há uma coisa a fazer com sua vontade de desconhecido: expulsá-la de dentro de você; despejá-la; vomitá-la; excretá-la para fora da sua mente e, portanto automaticamente, do seu corpo e da sua alma. Como? Me desculpe, mas não tenho todas as respostas. Cada um descobre uma maneira de fazer isso. Por exemplo: Da Vinci, pintava nas horas vagas; Htichcok dirigia; Charles Manson matava; Jimmi Hendrix tocava. Há uma infinidade de maneiras para canalisarmos nossa vontade pelo desconhecido.

Ou, você pode escrever contos macabros como eu. Claro que tive em quem me inspirar. No caso, um contista que escreveu entre as décadas de 1920 e 1950, chamado Clark Ashton Smith. Suas obras mais brilhantes foram publicadas em uma revista americana pulp de literatura fantástica chamada Weird Tales, dirigida por ninguém menos que Howard P. Lovecraft. Eu segui essa linha e andei escrevendo alguns contos macabros (que inclusive eu mandei para todos os meus amigos e pro meu irmão... mas só o meu irmão leu) apoiado pelos contos de Smith pra expuslsar alguns demônio de dentro de mim e olha, acreditem no que digo: funciona. As artes são os caminhos menos tortuosos para purgarmos nossas frustrações e, principalmente, nossa vontade de desconhecido.



Infelizmente, ainda não posso publicar os meus contos aqui por motivos particulares. Mas, não os deixarei na mão. Deixo os links dos dois contos de Clark Aston Smith que me inspiraram nessa empreitada:

The Empire of the Necromancers (O Império dos Necromantes)

The Isle of the Torturers (A Ilha dos Torturadores)

Os contos estão em inglês, mas com a ajuda de um bom programa tradutor é possível acompanhar as histórias tranquilamente.


Não vão se impressionar ein...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

SCREAMS BREAK THE SILENCE, WAKING FROM THE DEAD OF NIGHT...

Ontem minha esposa e eu assistimos ao filme Atividade Paranormal 2 (Paranormal Activity 2 - EUA, 2010). O enredo do filme não é dos melhores. O que realmente impressiona é a construção das cenas de uma forma que se pretende realista. Não há trilha sonora nem efeitos especiais muito sofisticados. Mas você fica em alta tensão durante todo o filme.

Eu gosto de filmes que trabalhem de alguma maneira com o sobrenatural e acho muito interessante assistí-los porque é uma maneira de nos lembrarmos de que é possível que exista algo no além-túmulo; que por mais que tentemos, não temos todas as respostas e nem conhecemos todos os caminhos. E que cedo ou tarde, não interessa quais caminhos escolhemos seguir, inevitavelmente eles terminarão em um único lugar.

Sinto o mesmo em relação às músicas. As bandas de heavy metal são criticadas por exacerbarem os temas sobrenaturais, por falarem de coisas ruins e todo aquele "bla bla bla" que as pessoas inventam para escaparem sutilmente das sinucas de bico. Bandas como Balck Sabbath, Iron Maiden, Angra, o próprio Ozzy, são tidos como loucos pela maioria das pessoas exatamente por trabalharem com questões que pesam na consciência dos seres humanos (daí a nomenclatura popuplar do heavy metal: "rock pesado").

Em verdade, a temática desses músicos conspurca paradigmas e incide como um tornado sobre os castelos de cartas que as pessoas constroem para não fugirem do cotidiano, daquela situação confortável de "ignorante" sem opinião e que nos faz crer que tudo está em paz, tudo está em odem.

MENTIRA!!! NINGUÉM ESTÁ EM PAZ NESTE MUNDO E NADA ESTÁ EM ORDEM! O que, tendo o vista a capacidade assimilação do Capitalismo, é o mesmo que dizer "VERDADE!!! TODOS ESTÃO EM PAZ E TUDO ESTÁ EM ORDEM!

Sendo assim, aqui vai a minha seleção das treze músicas de heavy metal clássico e heavy metal mais “pesadas” em termos de letra e harmonia musical que já ouvi. Resolvi não impor nenhum tipo de ordem porque são músicas clássicas de todos os tempos, feitas por samurais, faixas vermelhas oitavo dan. Fui escrevendo conforme apareciam na minha mente perturbada e iam para os meus dedos.

MR. CROWLEY (Ozzy Osbourne): http://www.youtube.com/watch?v=pdlS7tab5rQ

THE HOUSE THAT JACK BUILT (Metallica): http://www.youtube.com/watch?v=qCHXYzjtWM8&feature=related

THE NUMBER OF THE BEAST (Iron Maiden): http://www.youtube.com/watch?v=q9kT37eIkaY

PERFECT STRANGERS (Deep Purpple): http://www.youtube.com/watch?v=gZ_kez7WVUU

BARK AT THE MOON (Ozzy Osboune): http://www.youtube.com/watch?v=CXko2YCuZa8




CREATURES OF THE NIGHT (Kiss): http://www.youtube.com/watch?v=waLwDDH79uk

CHILDREN OF THE GRAVE (Black Sabbath): http://www.youtube.com/watch?v=236Lquwq22A&feature=related

HALLOWED BE THY NAME (Iron Maiden): http://www.youtube.com/watch?v=J51LPlP-s9o

SWEET DREAMS (Marilyn Manson): http://www.youtube.com/watch?v=BHRyMcH6WMM

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

MINISSÉRIE O VERDADEIRO SIGNIFICADO Ep. 01: O verdadeiro significado de "mo cuishle"


O Gaélico(em gaélico Gaeilge) é um dialeto falado em toda região da Irlanda e em alguns povoados da Escócia e País de Gales. Em Gales, por exemplo, há placas de sinalização de trânsito escritas, simultaneamente, em inglês, galês e gaélico.

No estonteante filme “Menina de Ouro” (Million Dollar Baby, EUA/ Inglaterra, 2004), escrito, dirigido e coadjuvado por Clint Eastwood, porém, há um abismo semiótico. Frankie Dunn, pugilista aposentado e falido, interpretado por Eastwood, passa todo o filme lendo um pequeno livro de poemas em gaélico. Em dado momento, quando percebe que Maggie Fitzgerald (a menina de ouro) vale um milhão dólares, ele manda fazer um roupão de seda verde (a cor faz toda a diferença), no qual borda a seguinte expressão em gaélico:

Mo Cuishle (pronuncia-se “mou cúchila”)

Segundo a personagem de Eastwood, Mo Cuishle significa “minha querida, algo precioso”. Recentemente, entretanto, os pesquisadores descobriram que essa expressão não significa “minha querida”, conforme narra o roteiro do filme, mas sim “se verde é assim, imagine madura”.

Cuidado para não ser enganado por falsos significados de expressões em línguas que ninguém conhece veiculados na mídia em geral.

sábado, 15 de janeiro de 2011

DO ALTO DA CÚRIA PAPAL NA PRAÇA DA CATEDRAL DE SÃO PEDRO...

Bentinho observa tudo o que acontece no mundo munido do Olho de Deus que recebeu de presente de um mago do oriente. Quando seu olhar pousa sobre o Brasil, algo lhe chama a atenção...

P: Algo me parece errado nesse país! Pobreza, miséria, roubo de dinheiro público... ah, não quero ver esse canal... melhor mudar a antena pra outro lado pra ver o que pega. Opa! O que é isso? O estado do Rio de Janeiro sofre com as chuvas! OH NÃO! OH NÃO! Preciso fazer alguma coisa... já sei! Vou falar com Deus!


Momento de tensão.

P: Se bem que talvez não seja uma boa idéia. Ele já deve saber o que está acontecendo... Talvez seja melhor eu mobilizar os escalões da Igreja para ajudá-los... Não, os cardeais me deporiam se desse essa sugestão.

O santo padre cai de joelhos, implorando aos céus!

P: Oh Deus! Por que tantas pessoas precisam morrer para que...


O santo celular toca... é Il Camerlengo...

C: Santidade, o Rolls Royce está a sua espera.
P: Graças a Deus!!! Pra onde vamos mesmo?
C: Zurique.
P: Zurique? O que vamos fazer em Zurique?
C: Santidade, não se lembra que pediu que fizesse uma reserva para praticar esportes radicais de inverno nas montanhas?
P: AH! É MESMO! Estou esperando por isso desde o esqui na semana passada! Já estou descendo. Ah sim! Enquanto me preparo, redija uma carta para a arquidiocese do Rio de Janeiro falando da minha consternação sobre as catástrofes que aconteram lá nos últimos dias.
C: Certo. Mas, santidade, não seria melhor o senhor enviar alguma coisa para ajudar?
P: Bem lembrado! Diga-lhes que envio minha bênção.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

ESCLARECIMENTO

O meu irmão mais velho fez um blog recenteme - aliás, recomendo dar uma olhada O caminho recusado - em que, na postagem inicial, afirma que eu fui uma das suas ninfas inspiradoras, dizendo que o meu blog - Perversão! - fala sobre a ordem vigente, acrescentando "seja lá o que isso quer dizer".

Diante dessa lacuna semântica, esclareço que a "ordem vigente" de que falo se refere à sociedade normativa composta por indivíduos que são levados a crer que fazem parte de um todo maior e que esse todo serve para a coexistência social.

Não entendeu ainda? É que faltou a legenda:

ordem vigente é a existência, ao mesmo tempo, de riqueza e pobreza extremas. Alguns (leia-se donos de empresas, políticos e multimilionários) fazem questão de manter essa relação desigual para que possam comprar tranquilamente seus carros do ano, jóias, roupas, propriedades e afins, enquanto outros (leia-se pais de família, assalariados, marginalizados etc) vendem o almoço pra comprar o café da tarde, porque a janta é muito cara.

Entendeu agora? Então TCHAU!

O ESTRANHO PAÍS NORMAL

Vivemos em um país estranho, ou, quem sabe, um país normal demais. Tão normal, que o estranho parecer ter se tornado o normal. Aos mais distraídos, a grande questão é quem? Quem deixou que o estranho se tornasse normal? Acho, porém, que uma pergunta mais importante do que “quem” é “quando”... Então, reformulando o problema: quando foi que o estranho se tornou normal? A resposta mais sensata, para sair pela tangente sem me comprometer, seria um vago e lacônico “as coisas são assim mesmo”. Acontece, porém, que eu não saio pela tangente como um covarde e a resposta que eu tenho para essa questão é aquela que todo mundo sabe e da qual todo mundo foge: desde sempre.

Fase um concluída — descobrir quando — o que nos leva diretamente à fase dois: quem. Essa resposta também já está tão arraigada no nosso ser quanto o patrimonialismo que corre nas veias deste país, embora finjamos não saber: nós mesmos. Talvez um conto de fadas possa ajudar a responder melhor esta questão. Importante ressaltar, contudo, que qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

“Era uma vez, numa cidade não tão distante, uma mulher que trabalhava de rainha. Era a pior de todas as tiranas e os súditos dela partilhavam um terrível sentimento de ódio e repulsa, misturado na exata medida com o medo que dela tinham. Todos proferiam os mais terríveis vitupérios sobre sua pessoa — às suas costas, evidentemente — e não suportavam seu ar de soberania. Certo dia, a rainha foi deposta e o que aconteceu foi tudo, menos esperado: aquelas mesmas pessoas, cujo desejo era vê-la deitada sobre um canteiro de rosas murchas segurando um pedaço de parafina com uma luz na ponta, ao invés de renderem graças aos céus pela liberdade recebida dobraram seus joelhos, curvaram suas cabeças e verteram lágrimas pelo ocorrido; uns, aqui e acolá, batiam no peito desejando trocarem de lugar com ela para poupá-la dessa terrível provação. E assim, ela perdeu a posição de rainha, mas sua majestade, que estava em seu ser, entranhada no seu corpo e espírito, sobreviveu. Algum tempo depois, porém, ela voltou a ocupar seu antigo posto. Logo, aqueles mesmos que tanto a ajudaram e por ela se solidarizaram, desejavam a construção da sua lápide. E todos viveram assim... quase sempre tristes... ora felizes... para todo o sempre”.

No Brasil é assim que as coisas funcionam: passamos a vida reclamando da má sorte que temos por causa da política e da malandragem; entretanto, quando a sorte resolve nos sorrir lhe fechamos a cara e a amaldiçoamos exatamente por causa da política e da malandragem. O que seria de um povo sofrido e amargurado sem um tirano em quem colocar a culpa? Eis o legado que veio de brinde com os europeus das chamadas “Grandes Navegações”: a maldita (bendita seja!) malandragem. Ou você achou que a malandragem e a vagabundagem são provenientes do brasileiro? Não, amigo, jamais seriam. Toda a malandragem e preguiça da qual somos taxados não nasceu aqui; veio de fora. Não somos uma sociedade autóctone, o que se comprova pelo valor que conferimos à nossa própria história; ninguém se preocupa em saber do passado alegando justamente que “quem vive de passado é museu”. Recebemos tudo de fora, enlatado e rotulado, pronto para usar. Quando a lata esvazia, é só jogar a embalagem fora e escolher outra na novela das oito ou no seriado americano mais próximo.

Mas a situação fica ainda mais interessante: apesar de termos em nossas mãos todas as maneiras para mudarmos esse quadro, simplesmente nos negamos a fazê-lo. Fechamos os olhos e continuamos caminhando aos solavancos, tropeçando e esbarrando uns nos outros, deixando a “vida me levar (vida leva eu!)”, vamos “caminhando e cantando e seguindo a canção”. Ora, de que adianta caminhar e cantar e ouvir se não vemos para onde estamos indo? Temos os ouvidos abertos e as pernas fortes, mas nossos olhos estão vendados aos fatos.

Quando assisti ao filme The Matrix pela primeira vez, uma frase de uma das personagens me fez pensar: “a ignorância é uma bênção”. E isso realmente se aplica a muitas pessoas, que constroem ilusões e castelos de areia com medo de que alguém venha e destrua tudo com apenas uma palavra. Por isso, amigo, se aquela fala fere os seus ouvidos por ser demasiadamente realista, embora você saiba que, de alguma maneira, ela também se aplica a mim e a você, apenas a substitua por esta mais poética: o que os olhos não vêem o coração não sente.

PETISTINHA DE MERDA!

Eu sou petista, sim! Acho melhor ser um petistinha de merda do que um tucano alienado, preocupado demais com o próprio dinheiro pra ver muito além do alcance do seu próprio nariz (e olha que o nariz é grande!). Vou contar uma historinha pra ilustrar isso: na minha cidade, existe uma cobrança de tarifa para estacionamento na região central. Eu não concordo, é claro, mas... pensando mais friamente, é válido por duas razões: primeiro, como uma medida para melhorar o trânsito e rotativizar o estacionamento no centro da cidade; segundo, e mais importante, porque temos em quem por a culpa em caso de furto, roubo, vandalismo etc. Infelizmente, essa medida é boa e ruim ao mesmo tempo... mas, cá entre nós, é necessária para melhorar alguma coisa, visto que as pessoas dispensam real atenção somente àquilo que mexe diretamente no bolso.

A administração do PT em comparação com as três administrações diretamente anteriores, é de longe a melhor delas. Há quem discorde dessa afirmação — que, diga-se de passagem, é perigosa de ser feita em público —, e, não contente em simplesmente discordar, quer demonstrar teatralmente porque discorda. Outro dia, estava eu parado no centro da cidade esperando um amigo, quando uma das agentes do estacionamento rotativo apareceu e percebeu que o carro estacionado atrás do meu não tinha o bilhete (o meu também não tinha, mas ela não viu). Ela colocou um aviso no pára-brisa do carro e foi embora. Alguns minutos depois, eis que surge o distinto senhor, dono do carro. Ele pegou o aviso e gritou em alto e bom som, enquanto rasgava e jogava pela rua os pedacinhos: “isso é coisa do PT! Olha o que eu faço com o PT (rasgando o aviso com raiva)... isso-é-P-T! Se fosse o Serra eu dava meu dinheiro!”.

Repare que ele não disse isso pra mim, porque não tinha me visto; nem pra moça da Área Azul; nem pra nenhum espectador na rua. Não havia ninguém ali naquela hora. Esses tucanos são tão covardes, que até pra perderem a paciência se certificam de que não há ninguém por perto, pra que não haja provas! Discordar é um direito inalienável, garantido pela Constituição... agora, por favor, se quer discordar faça-o nos órgãos competentes! O imbecil nem consciência ambiental teve, jogando papel na rua! Que bela filosofia essa do PSDB!

Porém, não sejamos injustos! Eu, mesmo sendo petista, não posso negar que o PSDB, com suas idéias, ideais, sua plataforma governamental, sua carta administrativa, é um partido muito bem estruturado e muito bem assessorado. É por isso que é a oposição mais forte diante do PT. Minha restrição com relação à base tucana é unicamente sua filosofia neoliberal que visa estabelecer metas administrativas como em uma linha de produção: querem acabar com o funcionalismo público concursado; querem acabar com a saúde de caráter público; querem acabar com direitos trabalhistas conseguidos à custa de muito suor e sangue; querem privilegiar o crédito estrangeiro; querem, de todas as maneira possíveis e impossíveis, transformar o Estado brasileiro em uma espécie de multinacional que não expande para o exterior, deixando antes que o exterior se amplie dentro dela, como acontece em certos países. E se essa empresa falir o que farão? Vão pedir concordata?

Isso não existe. A empresa pública é diferente de qualquer outro tipo de empresa, a começar por não visar lucro financeiro. Todo o dinheiro que nela entra deve ser retornado para a população na forma de infraestrutura e garantia do bem estar, embora a maioria dos políticos não pense dessa forma e desvie esse dinheiro para outros fins. Mas, aí, me desculpe, a culpa maior é do cidadão que não fiscaliza o destino do dinheiro que envia para os órgãos municipais, estaduais e federais. Quer uma prova? O segundo turno das últimas eleições, não por acaso, coincidiu com um feriado prolongado. E o que a maioria dos brasileiros eleitores fez? Viajou pra outras cidades pra aproveitar o feriadão, como se esse fosse o único feriado do ano em um país cuja cota de feriados excede a de qualquer outro.

Você fez isso? Que bom! Aproveitou bem a viajem?! Ótimo! Apenas me diga: desde quando vinha planejando viajar? Um, dois anos? É... eu entendo... com uma carga horária média entre quarenta e quatro e cinqüenta e duas horas de trabalho semanais é complicado encontrar uma brecha pra viajar com a família. Quantos anos você guardou dinheiro pra ir do interior de São Paulo ao Boqueirão da Praia Grande? Dois, três? Sabia que há deputados que viajam diariamente de norte a sul do país e se hospedam nos melhores hotéis das capitais? E você ficou em uma pousada? Gastou quanto? Quatro, cinco mil reais? Isso é o que muitos senadores ganham por dia...

Está vendo como é possível arranjar desculpa pra tudo? Brasileiro adora uma desculpinha. A melhor delas é “falta políticas públicas”, que pode ser desenvolvida pra uma ainda melhor “a culpa é do governo”. Concordo, mas... quem é que dá poder aos governos? A elite? Os mais ricos? Também, mas a maior parte desse poder vem do cidadão que digita cartão e cumpre, no mínimo, oito horas diárias de trabalho. Tanto trabalho, tanto suor, pra no fim, quando estiver com sessenta e cinco, setenta anos de idade, dos quais trinta, quarenta morreram no interior de uma fábrica ou escritório, receber uma merreca de aposentadoria. Mas não se preocupe! Eu não sou nada nem ninguém pra me intrometer na sua vida... afinal, vivemos em uma sociedade individualista onde cada um sabe de si. Só não reclame quando você precisar do Estado e encontrar o gabinete vazio. Se isso acontecer, um conselho: vá viajar.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

RECADOS

Homofobia, racismo, intolerância religiosa. Antes mesmo de eu começar a postagem, se você é partidário dessas e de outras formas de extremismo vá tomar no meio do seu cu, seu maldito filho da puta! Ta lendo isso aqui por quê? Melhor parar porque o que escrevo é demais para o seu cérebro de ervilha — com as devidas desculpas às ervilhas. Melhor: leia! Quem sabe a divina luz da compreensão não acaba rompendo as trevas da sua ignorância.

Para mim, o mal do século XXI é o desrespeito à vida, ao direito de escolha de cada um, à liberdade direitos esses que nem mesmo Deus, seja em sua representação humana ou espiritual, quis burlar. Eu já fiz esta pergunta em outro post mas eu insisto: qual é problema com as pessoas? Será que pensar dói? Será que utilizar o cérebro é algo tão excruciante para o corpo que as pessoas procuram evitar acionar o mecanismo do raciocínio?

Ninguém vai em Brasília e sai metendo luz fluorescente na cabeça dos deputados e senadores, embora aqueles ladrões realmente mereçam! Ser homossexual ou ter opinião diferente não é doença, nem psicose nem nada dessas imbecilidades que a mídia e a algumas igrejas afirmam. É questão de escolha, o que implica conhecimento e, sem dúvida, muita coragem, porque existe muito heterossexual que se diz machão e não tem coragem de assumir suas convicções diante das pessoas.

Sabe o que eu digo a você, homófobo filho da puta, que teve a ousadia de chegar até este ponto do post? COVARDE! Você não passa de um bebezinho da mamãe; um mimadinho que tem medo do Freddy Krueger, mas nem isso tem coragem de assumir! Sujeito homem é aquele que, embora não aceite as posições e opiniões de outras pessoas, as respeita, acima de qualquer outra coisa... e respeitar o outro é respeitar a si mesmo.

Agora me dirijo a você, homossexual, que deve estar assustado com os acontecimentos recentes nas capitais do país. NÃO TENHA MEDO! Não se deixe abater diante dessa ameaça. Você sabe que a noite é mais escura pouco antes da aurora e eu tenho certeza que você já enfrentou muita coisa pra chegar onde você chegou e desistir justo agora, quando o dia já está para nascer. Agüente firme! Resista! Lute! Meta a porrada se for preciso, mas não deixe de ver a linda alvorada que te espera depois da batalha.

Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus. (Mt 5, 12)

sábado, 8 de janeiro de 2011

WHO THE FUCK...

Parece que ninguém se interessou pela discussão que propus na primeira postagem. Qual o problema de vocês? Será que são fãs do Justin Bieber? Desta vez não vou propor porra nenhuma de discussão...  apenas vou deixar o vídeo do Ozzy fazendo uma pergunta impossível de ser respondida.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Sexta-feira, 08h da manhã...

Eu fico abismado como as pessoas adoram a sexta-feira. É, sem dúvida, o dia mais adorado do ano. Eu percebi que a maioria das pessoas adora acordar mais cedo na sexta-feira do que nos outros dias da semana e me dei conta disso ao somar a quantidade de ligações que recebo no meu trabalho nas sextas de manhã em relação ao resto da semana. É impressionante a capacidade que um ser humano tem de colocar o relógio para despertar as 08h da manhã de uma sexta-feira só para pegar a droga de um maldito telefone, o invento mais irritante da história da humanidade, discar um número qualquer e ainda dizer “bom dia” para quem atende. Ah Graham Bell, teremos uma conversinha quando eu morrer... e reze para não nos cruzarmos antes!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Teorias de Quentin Tarantino

Há muito tempo meu irmão me chamou para ver um filme que eu não conhecia de um diretor até então desconhecido para mim. Eu fiquei apaixonado pelo filme! Um roteiro fantástico magnificamente interpretado por uma verdadeira constelação hollywoodiana: John Travolta, Samuel L. Jacksson, Umma Thurman, Bruce fuckn' Willis. Falei "nunca vi nada igual... quem é o diretor?" perguntei ao meu irmão. "Quentin Tarantino" disse ele. Assim começou minha admiração por esse grande diretor e roteirista. Considero este vídeo tarantinescamente interpretado por Seu Jorge e Selton Mello um clássico. Assistam!


DIA DE CHUVA


É muito interessante o Verão no Brasil. Primeiro, porque é a estação predominante; segundo, porque com ele vêm as chuvas. Mais interessante do que isso, é a posição da mídia em relação aos acontecimentos acarretados pelas chuvas. Hoje de manhã liguei a TV e adivinhe a manchete daquele jornalzinho de merda da rede globo: “chuva castiga Rio de Janeiro”. Outro dia, estava vendo aquela bosta de telejornal da EPTV e a notícia: “chuva faz estragos em Ribeirão Preto”. E aquela que me deixou mais pasmo: “chuva causa acidentes na Washington Luiz”.



Ou seja: não é o ser humano que não sabe escolher governantes que apliquem recursos na remoção das famílias em área de risco... é mais fácil dizer que a chuva os castigou. Da mesma maneira, não é o excesso de bebida nem a falta de manutenção nos veículos e muito menos o desrespeito à sinalização que causa acidentes... a chuva é que é responsável... a chuva é quem dirige em alta velocidade na chuva... é a chuva que não coloca o cinto de segurança. CHUVA! COMO VOCÊ É MALVADA!! Se dependesse da mídia, você estaria na cadeia!



Em dia de chuva é comum as pessoas dizerem “nossa que dia feio”. FEIO??? Como assim? Feio por quê? Precisamos das chuvas da mesma maneira que do sol!! Os pesquisadores são unânimes em afirmar que o sol é a fonte de vida na Terra. MENTIRA!! A existência da vida neste planeta é produto da junção de inúmeros fatores, dentre os quais a água ocupa uma categoria tão ou mais importante do que a luz. Qual é problema do ser humano afinal? O fato é que a idéia de beleza colocada pela natureza e a idéia de beleza dos seres assim chamados “racionais” é completamente diferente. A beleza da natureza é perfeita e totalmente útil porque serve a própria natureza e aos humanos. A beleza do ser humano é vazia, fútil, porque se encerra em si mesma. Ser bonito para a natureza é fechar um importante ciclo ecológico equilibradamente. Ser bonito para os seres humanos é ser magro, forte, de cabelos sedosos apenas para mostrar pros outros e instaurar competição.


Mas chuva, não se preocupe. Você não tem culpa de nada. Eu agradeço por você existir e, por favor, não se ressinta com as imbecilidades que os âncoras desses jornalecos idiotas falam sobre você nem quando falam que dia nublado é dia feio. Quem sabe o dia em que você resolver atender aos pedidos deles e parar de cair a opinião deles sobre você mude. Sinceramente, eu espero que esse dia nunca chegue.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Você acha que já conhece tudo sobre a miséria humana? Então não assista este filme

Salò ou os 120 Dias de Sodoma
[Salò o le Centoventi Giornate di Sodoma]
  Pier Paolo Pasolini (dir.). Itália/França, 1975 Cor - 108 min.

E agora? Quem são os irracionais?